Para alguns, ela ainda é polêmica. Entre fashionistas, porém, parece unanimidade: as calças pantacourt vão ser febre no próximo verão brasileiro. Larguinhas, com altura um pouco abaixo do joelho ou na metade da canela, são como pantalonas curtas. Precisamente, a pantacourt tem comprimento que varia entre 75 e 80 centímetros e uma abertura de 45 centímetros, segundo a consultora de estilo Bilu Casadei. No exterior, são chamadas ‘culottes’, nome mais adequado para entender a história da peça.
Você talvez se lembre do termo 'sans-culottes', lá da Revolução Francesa, nas aulas de história. Este estilo de calça era usado pela aristocracia europeia no final do século XVI. Durante a revolução, aqueles que se opunham ao sistema aristocrático vestiam calças compridas e ficaram conhecidos como 'sans-culottes'.
Passados alguns séculos desta revolução, a pantacourt apareceu relacionada aos princípios de outra: o feminismo. Até o início do século XX, o vestuário feminino era composto por saias e vestidos longos, que arrastavam no chão, o que limitava os movimentos e impedia que as mulheres participassem, por exemplo, de atividades físicas. No fim da década de 1920 e início de 1930, estilistas começaram a brincar com a peça para mulheres, como se fosse uma "saia dividida". A italiana Elsa Schiaparelli foi uma das principais a encabeçar o movimento e, é claro, causar polêmica ao usar a pantacourt.
Há algumas temporadas, a calça voltou a aparecer, mas ganhou força de vez no verão deste ano do hemisfério norte - e tudo indica que o mesmo vai acontecer por aqui. “Até marcas de fast fashion já apostam no modelo, ele está em todas as vitrines”, diz Ana Cristina Gonçalves, editora-chefe da revista Estilo. A dica, para os que ainda têm um pé atrás, é usar a peça da mesma maneira pensada pelos estilistas das décadas de 1920 e 1930, como uma saia dividida.
Por causa do comprimento e do volume, pode ser um desafio maior para mulheres mais baixas, pois há risco de parecerem achatadas ou ainda menores. O ideal, nestes casos, é apostar em sapatos com salto, como escarpins, sandálias ou mules. Atenção às sandálias gladiadoras, que também são tendência para o verão: elas não combinam com as pantacourt, porque contribuem para criar volumes indesejados na região da canela e dos pés.
Na parte de cima, tops cropped, camisas e blusas de tricô ou moletom ajudam a compor o look. Para arrematar, casacos ou jaquetas um pouco mais estruturadas.
As diferenças nas barras - Cigarrete, capri, pantacourt, cropped, new pantacourt… Todas são curtas e as diferenças entre elas, às vezes sutis. Cigarrete e capri são praticamente sinônimos, com corte mais seco e reto e a barra um pouco acima do ossinho do tornozelo. A principal distinção entre elas é que a capri, geralmente, está associada ao verão e por isso costuma ser fabricada em tecidos mais leves. A calça cropped é como uma pantacourt, mas também um pouco mais seca. Já a new pantacourt, na opinião de Bilu, é a aposta para o inverno 2016. Com modelagem um pouco mais seca e boca mais larga que a pantacourt, quase como uma calça flare curta, ela deve aparecer em tecidos mais pesados e com cara de jeans.
E tem história
A calça pantacour é um simbolo do feminismo. De força e empoderamento. Colaborou na luta das mulheres pelo direito de poder trabalhar
Essa moda voltou e espero que não acabe tão cedo! Eu adoro as pantalonas curtas ou pantacourt. Como sou alta tenho dificuldade de achar calça que não fique pescando siri – assim que chamamos a calça que fica curta na bainha – e com esse modelo não tenho essa preocupação.
Fazendo uma pesquisa sobre a peça descobri três versões da origem da peça. Sobre as duas últimas versões não encontrei mais informações.
Versão I - Larguinhas, com altura um pouco abaixo do joelho ou na metade da canela, são como pantalonas curtas. A pantacourt tem comprimento que varia entre 75 e 80 cm e uma abertura de 45 cm. No exterior, são chamadas de “culottes”, nome mais adequado para entender a história da peça.
“Sans-culottes” era o estilo de calça usado pela aristocracia europeia no final do século XVI. Durante a revolução, aqueles que se opunham ao sistema aristocrático vestiam calças compridas e ficaram conhecidos como “sans-culottes”.
Algum tempo depois a pantacourt apareceu relacionada a outros princípios: o feminismo. Até o início do século XX, o vestuário feminino era composto por saias e vestidos longos, que arrastavam no chão, o que limitava os movimentos e impedia que as mulheres participassem, por exemplo, de atividades físicas. No fim da década de 1920 e início da década de 1930, estilista começaram a brincar com a peça para mulheres, como se fosse uma “saia dividida”. A italiana Elisa Schiaparelli foi uma das principais a encabeças o movimento e, é claro, causar polêmica ao usar a pantacourt.
Versão II - A tal calça/bermuda surgiu por volta de 1856 e era usada pelas mulheres por baixo da criolina de armação (saia arma por arco). Reapareceu nos anos de 1970 e posteriormente em 1990.
Versão III - Uma peça de origem chinesa que ganhou o guarda roupa ocidental na década de 70 e que tem voltado à moda em versões mais formais.
Por: Marília Marasciulo | Fonte: O Estado de S.Paulo
Com materia adicional de: Renata Fonseca
